Brucelose Canina

Etiologia

A Brucelose Canina é causada pela Brucella Canis, um cocobacilo Gram-negativo.

Transmissão

A Brucella Canis é encontrada no sêmen (venérea), nas descargas vaginais (no estro, acasalamento e pós-abortamento), nos tecidos fetais abortados e urina. A infecção ocorre através da penetração das membranas mucosas oronasal, conjuntiva e genital por parte dos microorganismos.

Patogênese

A brucelose caracteriza-se por bacteremia associada com leucócitos prolongada que dura de 6 a 64 meses.

· Os microorganismos do Brucella localizam-se mais freqüentemente:

o Nos sistemas linfóide e fagocítico mononuclear (hiperplasia linforreticular).
o Na próstata e nos testículos (orquiepididimite e infertilidade).
o No útero grávido (infertilidade e abortamento).

· Raramente, envolvem-se os olhos (uveíte anterior), os rins (glomerulonefrite) ou os riscos intervertebrais (discoespondilite).

Sinais Clínicos

A linfadenopatia generalizada, a esplenomegalia e o mau desempenho reprodutivo constituem as principais manifestações. A febre e a enfermidade sistêmica são raras.
· Nos machos - infertilidade e achados físicos de inchaço escrotal, dermatite escrotal, aumento de volume do epidídimo (epididimite) e atrofia testicular.
· Nas fêmeas - abortamento de fetos mortos e parcialmente autolisados com 45 a 59 dias de gestação sem quaisquer outros sinais de estarem doentes, descarga persistente por 1 a 6 semanas após um abortamento e falha em conceber (devida a reabsorção fetal precoce).

Sorologia

Como as outras bactérias disparam anticorpos que reagem cruzadamente com a Brucella Canis, os resultados falsos positivos constituem um problema. A hemólise (hemoglobina) também provoca resultados falsos positivos. Os títulos falsos negativos podem resultar de um seqüestro da infecção ou de antibióticos recentes.
Pode-se levar 4 semanas para se soroconverter; conseqüentemente, quando se tria cães para entrada em um canil reprodutivo, exige-se um teste negativo no primeiro dia e novamente após 4 semanas.
· O teste de aglutinação em lâmina (D-Tec CB; Pitman Moore) é um teste de triagem no consultório para detectar suspeitos que precisam de teste adicionais. Este teste possui um valor preditivo negativo preciso, mas os títulos falsos positivos são comuns. Cerca de 99% dos negativos são negativos verdadeiros, enquanto que comente metade a dois terços dos positivos são confirmados como verdadeiramente infectados.
· Encontram-se disponíveis os testes de aglutinação em tubo e de imunodifusão em ágar-gel em laboratórios diagnósticos comerciais e estaduais. Esses títulos são mais específicos para a brucelose mas não são definitivos (os títulos de 1:50 a 1:100 são suspeitos; os títulos ³ 1:200 são altamente sugestivos).
· Uma cultura sanguínea positiva baseia-se na bacteremia caracteristicamente prolongada da brucelose. Também se podem cultivar urina, sêmen, descargas vaginais e tecidos fetais abortados quanto a microorganismos de Brucella.

PONTO-CHAVE = Embora um único título alto seja geralmente indicativo de brucelose, uma cultura sanguínea positiva constitui o padrão ideal para um diagnostico definitivo e deve-se utiliza-la sempre que possível para confirmação.

Tratamento

· Os microorganismos da Brucella são refratários aos antibióticos e muito difíceis de erradicar (devido à localização intracelular e, nos machos, à inacessibilidade da barreira hemoprostática). A bacteremia pode recidivar meses após a interrupção do tratamento.
· Não recomende nenhum acasalamento posterior e recomende uma castração ou ovário-histerectomia dos animais infectados.
· Recomende cuidado para pessoas em contato com cães Brucella positivos, pois existem casos raros de infecção humana. A brucelose canina é considerada como um risco de saúde pública de baixo grau.

Prevenção

· Teste o reprodutor, quanto a Brucella, antes de cada acasalamento nas fêmeas e duas vezes por ano nos machos.
· Elimine os cães infectados dos canis reprodutivos.

Bibliografia:

· Carmichael LE, Greene CE: Canine brucellosis. In Greene CE,
Ed. Infectious diseases of the dog and cat. Philadelphia: W. B. Saunders, 1990, p573.
· Pollock RVH, Carmichael LE: Canine brucellosis. In Barlough JE,
Ed. Manual of small animal infectious diseases. New York: Churchill Livingstone, 1998, p183.